Seu filho pediu um mercadinho de brinquedo, você viu o preço e suspirou? Respire: a sua cozinha já tem quase tudo o que ele precisa.
Caixas de cereal, potes limpos e uma caixa de sapato viram prateleira, produtos e caixa registradora em uma tarde. Enquanto “vende” e “compra”, seu filho treina fala, contagem e convivência, e você não gasta quase nada.
Por que essa brincadeira vale ouro
No relatório clínico The Power of Play (2018), a Academia Americana de Pediatria afirma que brincar com pais e colegas é uma oportunidade singular de desenvolver habilidades socioemocionais, cognitivas, de linguagem e de autorregulação. O mercadinho reúne tudo isso: a criança escolhe um papel, combina regras, espera a vez e negocia o “preço”.
No Brasil, a BNCC (Base Nacional Comum Curricular) coloca as interações e a brincadeira como eixos da Educação Infantil. O faz de conta costuma ganhar força entre os 2 e os 6 anos, aproximadamente.
Passo a passo rápido
- Escolha o cantinho. Uma mesa baixa ou uma prateleira ao alcance da criança já basta.
- Separe embalagens vazias, lavadas e secas. Caixas de cereal, de leite longa vida e de creme dental, além de potes firmes de plástico.
- Monte as prateleiras. Caixas de sapato deitadas e empilhadas funcionam muito bem.
- Crie as etiquetas de preço. Papel e canetinha. Se a criança “escrever” os preços com rabiscos, ótimo: imitar a escrita faz parte do faz de conta.
- Faça o dinheirinho. Recorte papel colorido em “notas” de 1, 2, 5 e 10.
- Distribua os papéis. Um é vendedor, outro é cliente. Depois, troquem.
Do armário ao balcão
| O que você tem em casa | Vira o quê no mercadinho |
|---|---|
| Caixa de sapato | Caixa registradora ou balcão |
| Caixas de cereal e de leite (lavadas) | Produtos da prateleira |
| Sacola de pano ou de papel | Sacola de compras |
| Cesto ou balde de plástico | Carrinho de compras |
| Papel colorido recortado | Dinheiro |
| Caderninho velho | Lista de compras |
Alerta! Segurança em primeiro lugar
Brinquedo caseiro também pede cuidado. A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) lembra que crianças de até 3 anos tendem a colocar peças pequenas na boca, com risco de engasgo e sufocação. Por isso:
- Evite tampinhas, botões e moedas com os pequenos. Reportagens que citam o Inmetro indicam risco em peças menores que 3,17 cm.
- Nada de cordas ou fitas com mais de 15 cm, por causa do risco de estrangulamento (SBP).
- Fique longe de vidro. A SBP recomenda evitá-lo para crianças de até 5 anos. Latas de borda cortante também ficam de fora.
- Não use sacolas ou embalagens plásticas finas, pelo risco de sufocação.
- Supervisione sempre, principalmente se houver crianças de idades diferentes brincando juntas.
Transforme em aula de matemática
- Menores: contar os produtos e dividir “um para você, um para mim”. A correspondência um a um é um dos objetivos da BNCC.
- Por volta dos 5 anos: somar preços simples e comparar (“qual é mais barato?”).
- A partir dos 6 ou 7 anos: calcular o troco, atividade comum nos primeiros anos do Ensino Fundamental.
Pergunte sempre: “Quanto deu?” e “Quanto sobrou?”
Valores que cabem na sacolinha
- Boas maneiras: “bom dia”, “por favor” e “obrigado” fazem parte da compra.
- Honestidade: vendedor bom não engana ninguém no troco.
- O valor do trabalho: o Procon lembra que o brincar de comprar ensina que todo produto tem um preço e que o dinheiro vem do trabalho.
- Partilha: separe parte do “lucro” numa caixinha para doar a quem precisa. É uma ótima conversa em família.
Comece hoje
Separe três caixas, pegue um papel e chame seu cliente mais animado. Uma caixa de papelão pode virar a loja favorita da casa.
Curador do artigo: Robison Gomes

